Ritchie Blackmore não é exatamente lembrado como o cara que distribui elogio fácil.

Talvez por isso chame atenção quando ele resolve apontar um nome e dizer que, no meio de tantos guitarristas da época, aquele ali tinha algo que ia permanecer. Foi o que aconteceu com Eric Johnson, numa resposta a fã publicada no site antigo do Blackmore, lá em 1996.
Eric Johnson já era conhecido por tocar com um cuidado quase obsessivo de timbre e dinâmica, e tinha colocado "Cliffs of Dover" no mapa alguns anos antes, no álbum "Ah Via Musicom" (1990). A música virou cartão de visitas justamente por juntar técnica com melodia, sem soar como exercício de escola de música.
Quando perguntaram ao Blackmore, a resposta veio bem direta no conteúdo. Conforme publicado na Far Out, Ritchie disse que teve a chance de ouvir a música do Johnson e que ele era "um cara fantástico, suave, excelente". E imediatamente ele emendou: "Eu acho que ele vai durar mais do que todos os outros guitarristas ao nosso redor, neste momento."
O complemento explica melhor o que ele estava valorizando: "Ele tem um talento natural pra entreter e tocar. Ele não é só um guitarrista muito rápido. Ele toca com muito bom gosto - impressionante." E dá pra ligar isso a outra coisa que o próprio Blackmore comentou anos depois: ele disse que Eric Johnson "é muito bom" e citou o instrumental mais famoso dele, comparando a pegada com o que Les Paul fazia em 1956 em "Little Rock Getaway".
E, olhando daqui, faz sentido: "Cliffs of Dover" segue circulando como referência de timbre e de fraseado, mesmo pra quem nem é fã do Eric Johnson como artista "de catálogo". Se isso é "durar mais que todo mundo", aí já é outra discussão, mas dá pra entender por que Blackmore escolheu justamente esse nome pra cravar a aposta.
🗒️ Pesquisa, Redação e Edição: Carlos Martins
✍️ Por Bruce William | Revista Whiplash
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📸 Imagem/Carlos Martins
