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Ana Clara, jovem que teve mãos reimplantadas após ataque com foice, recebe alta do hospital

Publicada em: 29/05/2026 15:49 -

A cearense estava internada no IJF, onde passou por cirurgia de reimplante dos membros.

A jovem Ana Clara Oliveira, de 21 anos, que teve as mãos decepadas e reimplantadas após uma tentativa de feminicídio em Quixeramobim, no dia 1º de maio, teve alta médica nesta sexta-feira (29), quase um mês após o ataque a foices. Ela estava no Instituto Doutor José Frota (IJF).

"Mulheres, vocês que passam por alguma agressão, qualquer sinal que vocês verem, saiam, denunciem. Nenhuma mulher merece passar por isso. A mulher pode ser a pior que for,  ela não merece passar por isso. Denunciem, criem forças. Se vocês não querem ficar nessa situação ou até pior, saiam", declarou a Ana na saída do hospital. 

A recuperação da jovem, que já faz sessões de fisioterapia, deve durar entre seis meses e um ano, segundo a própria adiantou ao Diário do Nordeste em entrevista na semana passada.

Clara chegou ao IJF, horas após o ex-cunhado decepar as mãos dela e causar outros ferimentos profundos pelo corpo a golpes de foice. A barbárie foi feita a mando do irmão, o então companheiro da jovem, após uma discussão de casal que teve troca de xingamentos e uma pedra arremessada no carro do homem. 

A jovem de 21 anos teve as mãos reimplantadas em uma cirurgia de cerca de 12 horas no IJF, com o envolvimento de 15 profissionais de diversas áreas da saúde.

"Eu sei que não é fácil, eu tentei várias vezes, mas você consegue. Gratidão pela empatia das pessoas, pelo apoio que estou tendo e principalmente por mulheres me mandarem mensagens, que depois que viram meu caso, conseguiram sair de um relacionamento abusivo. Eu estou aqui para ajudar todas vocês, vou ser uma voz para vocês", disse ainda a jovem.

Jovem se fingiu de morta durante ataque 

 Durante o ataque, ela se fingiu de morta para sobreviver e viu o agressor indo embora, em uma estratégia pensada no calor do momento, mesmo perdendo muito sangue. A tentativa de feminicídio ocorreu por volta de 1h da madrugada do dia 1º de maio, mas ela relata que a polícia só chegou por volta das 3h.

Fraca pela perda de sangue, Clara conseguiu se arrastar até o corredor de sua casa e gritar por socorro para o vizinho da casa abaixo. 

“Eu tinha me arrastado até o corredor, e aí, quando a polícia chega, eles perguntam se eu estou só e se eu tinha condições de abrir as portas. Eu falei que não, que eles arrombassem a porta e pulassem, que a janela estava aberta. E aí eles fizeram, arrombaram a porta e pularam a janela e conseguiram pegar a chave que estava no meu bolso. Desbloquearam meu celular e ligaram para o meu padrasto”, relembra. 

Ela foi levada inicialmente ao Hospital Regional do Sertão Central (HRSC), em Quixeramobim, mas a unidade de saúde não trabalhava com cirurgia de reimplante de membros. Um helicóptero era necessário para transferi-la até o IJF, mas a chuva impediu. 

A jovem comenta que teve de ir de ambulância por estrada terrestre e relembra que ficou o caminho todo acordada, ao lado do padrasto. “Eu falava: ‘será que eu vou voltar a ter as minhas mãos novamente?’.

 

🗒️ Pesquisa, Redação e Edição: Carlos Martins

✍️ Por Matheus Facundo e Bergson Araújo | Diário do Nordeste

🌐 Acesse: wwww.passarefm.com.br

📸 Imagem/Reprodução

 

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